A integridade moral constitui-se em uma das classificações primordiais da personalidade, tema que vem se revestindo de importância inegável nas discussões atuais.
Antes, faz-se mister perguntar: o que molda o nosso comportamento moral?
Numa abordagem psicanalítica, os pais seriam agentes sociais da criança, a qual na fase inicial é movida por instintos. Após absorver os valores desses pais, a identificação com estes permite à criança um comportamento conforme as expectativas dos pais. A criança será punida por algum ato errado para que não repita o mesmo no futuro. O superego então vai atuar como um "cobrador de leis", fazendo-nos sentir culpados. O julgamento dos pais, o relacionamento da criança com estes e a severidade da punição imposta à criança seriam fatores que moldariam o julgamento moral da criança.
De acordo com a teoria cognitivo-social do psicólogo Bandura, é através da observação de modelos de comportamento no contexto das interações sociais que ocorre a aprendizagem social, e que se aprendem comportamentos que nos permitem viver em sociedade e desenvolver nossas capacidades. Nascemos como uma "página em branco", e, dependendo da experiência pessoal em nosso ambiente social, tornamo-nos "bons" ou "maus", ou seja "honestos" ou "desonestos". Somos recompensados por atos bons e punidos por atos considerados maus. Ou seja, honestidade e desonestidade resultam de comportamentos e não de julgamento moral.
Para o psicólogo Piaget, as crianças nascem "boas" e o seu desenvolvimento vai depender dos moldes mentais em que são despejadas as experiências desde a infância, que serão internalizadas pelo próprio indivíduo. Boas experiências formariam adultos honestos, experiências ruins, adultos desonestos. Ou seja, o certo e o errado são definidos por convenções e os princípios morais serão aqueles que o indivíduo internaliza.
Assim, a próxima pergunta é: como a Grafologia detectaria esta característica de personalidade dos colaboradores de uma empresa?
O ato de escrever é um ato puramente humano, portanto, se é humano implica um pensamento consciente e inconsciente, conteúdos estes que se refletem simbolicamente na escrita. Assim, crenças, valores, sentimentos, emoções, julgamentos, entre outros, serão manifestos na expressão gráfica do indivíduo. A análise grafológica destes signos permitirá ter uma visão quanto ao comprometimento do colaborador com a empresa, sua motivação pela carreira, seus valores morais, sua satisfação com o cargo, seu equilíbrio psico-físico, sua suscetibilidade quanto às influências boas/más, e também, se a sua integridade moral é inabalável ou não, se demonstra constância, lealdade, inteireza, honestidade.
Como dizia Cervantes (1547-1616):
"As palavras honestas revelam a honestidade de quem as pronuncia ou escreve"
Ilse Calen
Grafóloga